Independence was granted to the Congo. A rebel movement freed the Belgian Congo from Belgium.
Joseph Kasavubu became president and Patrice Lumumba prime minister. He made Joseph Mobutu, a young military officer, his private secretary.
Two months after he took power a sub-committee of the US National Security Council authorized the assassination of Lumumba, with Mobutu later becoming president.
THIS DAY IN 2010:
Congolese soldiers, holding Belgian and Congolese flags, take part in a military parade, in Kinshasa.
President Joseph Kabila called today for a "moral revolution" in the Democratic Republic of Congo at ceremonies marking the 50th anniversary of its independence from Belgium. Congolese should put an end to "attacks on human life and dignity" and in particular the widespread rape that has become a feature of the guerrilla conflicts racking the vast nation, he said. Kabila also singled out "tribalism, regionalism, favouritism, irresponsibility, theft, embezzlement of public property and everything else contrary to values."
Patrice Lumumba and the MNC formed the first Congolese government in the run-up to the country's independence from Belgium, with Lumumba as Prime Minister and Joseph Kasavubu as President.
The sons of Congo's first democratically-elected leader, Patrice Lumumba, are to seek the prosecution for war crimes of 12 Belgian officials suspected of aiding their father's assassination in 1961.
"I want to know how he died. There are many books I can read and everything has been said, but there is no justice," said Guy Lumumba, the leader's youngest son. "It is a father I am looking for, a father whom I still love, and I want to know why he was killed". "We are targeting the assassins. In Belgium, there are 12 of them. They are alive and we want them to answer for their ignoble acts before justice," he said.
Alberto Teta Lando nasceu em 1948 numa familia proprietaria de fazendas de cafe' no norte de Angola. Aprendeu viola com a mae que, jovem, tinha tocado com Manuel de Oliveira e Jorge Eduardo (do grupo San Salvador), antes da partida destes para o Congo. "Comecei inspirando-me em proverbios, contos e ritmos Kikongo. A minha mae transmitiu-me um pouco do reportorio de San Salvador." Aquando das revoltas de 1961 "o meu pai apoiava a UPA. Os portugueses mataram-no e espetaram a cabeca dele num pau. Tiraram-nos as terras."
Mumpiozzo Ame - Tela Lando (1969)
Em Lisboa a partir de 1963, toca com Rui Mingas e Bonga e acompanha Lily Tchiumba. "Em Portugal aprendi novas harmonias." De novo em Luanda em 1968, integra o Africa Show do percussionista Massano e grava Mumpiozzo Ame (Assobio Meu). "De forma velada, dizia a minha revolta." O tema e' um grande sucesso. Teta Lando trouxe a musica angolana o seu patrimonio Bakongo, os seus talentos de harmonista e novos tratamentos ritmicos. Desde entao a sua influencia musical tem sido determinante.
Teta Lando faleceu (Obituario).
Um Assobio Meu - Patricia Faria (2004)
[Fonte: Angola 60's (1956-1970) - Buda Musique 1999]
Os conjuntos do Norte de Angola, muito profissionais e ligados ao desenvolvimento musical do Congo e do Zaire, fizeram sucesso junto dos luandenses e influenciaram bastante os guitarristas.
Super Coba, a mais famosa orquestra de Cabinda, tinha tambem prestigio no Congo Brazaville e no Zaire. Ficou uma temporada em Luanda. Tinha vinte e cinco elementos, metais, bateria, quarto violas, e um vasto reportorio em Lingala, Kikongo, Frances, Ingles e Portugues. Eram caracteristicas suas musicas longas com paragens e mudancas de ritmo. Tambem tocavam musicas de Otis Redding e James Brown. Dominavam muito bem a orquestracao e a instrumentacao era muito trabalhada. Finpantima tem sopros muito singulares.
Finpantima - Super Coba (1973)
Cabinda Ritmos chegou a Luanda e gravou nos estudios da Radio Voz de Angola, com Artur Arriscado, Café, uma musica muito celebre de Franco. Dionisio Rocha convenceu-os a ficar na capital onde fizeram muito sucesso. Cantavam em Kikongo musicas de Cabinda com influencias do Congo Brazaville.
Celestina - Cabinda Ritmos (1973)
Ngoma Jazz, formado em Luanda por musicos vindos do norte e pertencentes ao Quinteto Angolano, tocava na Igreja Tocoista e produzia-se tambem nos espectaculos de Luis Montez. Os percussionistas luandenses Magololo (tumbas) e Caetano (bongos) integraram periodicamente o Ngoma Jazz cujo reportorio era em Kikongo e Kimbundu.
Belita Kiri-Kiri - Ngoma Jazz (1973)
Paulino Pinheiro canta em Kikongo. Merengue Rebita, danca muito tipica do repertorio dele, foi um sucesso. "Helena meu amor, vamos dancar o merengue rebita"...
Merengue Rebita - Paulino Pinheiro (1973)
As letras dos sembas e dos lamentos de Antonio Paulino eram notaveis. Gienda ya Mama tornou-o muito popular pela intensa expressividade da letra e da musica. "Estou a ver a minha pobreza, e por isso choro." A tristeza e a sensacao de solidao apos o falecimento da mae foram ressentidos pelo publico angolano como uma exteriorizacao do sofrimento que se vivia naquela fase colonial. A emocao tambem e' suscitada pela execucao dos Jovens do Prenda, com a musicalidade influenciada pelo estilo do Congo-Zaire.
Gienda ya Mama - Antonio Paulino (1973)
Africa Show, foi formado em 1969 por Jose' Massano Junior, percussionista e tambem dancarino espectacular. O grupo, que acompanhou Ze' Viola e Teta Lando, foi o conjunto mais moderno da epoca, introduzindo as violas electricas, o orgao (Tony Galvao) e os sopros (Nando Tambarino). Acabou em 1975 por razoes ligadas ao conturbado ambiente politico. Massano foi para o Zaire, regressou a Luanda em inicio dos anos 80, integrando o conjunto Primeiro de Maio. As Meninas de Hoje foi um grande sucesso: "Menina nao quero confianca. Primeiro falamos com os teus pais. Senao vamos arranjar problemas".
De como o estilo Bakongo teve um papel determinante no nascimento das musicas urbanas dos anos 60
San Salvador:Henrique Freitas, Manuel de Oliveira, Jorge Eduardo nasceram nos anos 20, perto de Sao Salvador (norte de Angola, hoje M’Banza Kongo). Na cidade fronteirica de Matadi, ouvem musicas Bakongo tratadas em estilo cubano. Em 1948, em Leopoldville, formam o San Salvador e em Setembro de 1949 gravam vinte musicas para a etiqueta Ngoma, do grego Nico Jeronimidis. Na sede da Ngoma encontram Wendo, autor de Marie Louise, primeiro sucesso da rumba congolesa. Manuel de Oliveira e Wendo tocam juntos e com o jovem Franco, bakongo como eles. Apos a independencia do Zaire (1960), o desenvolvimento da producao discografica, das discotecas e dos bares atrai musicos de diversos paises africanos. Kinshasa torna-se o centro da musica urbana do continente. San Salvador continuou ate’ aos anos 80. Muitos musicos angolanos fizeram uma brilhante carreira no Zaire: Diana que cantou quinze anos com Tabuley Rochereau, Matadidi, Sam Mangwana…
Nos bairros (Sambizanga, Marcal, Sao Paulo em Luanda) as turmas de jovens cantam com acompanhamento de percussoes. Constroem as suas violas com latas de azeite e linhas de pesca. Pela radio e nos bailes, ouvem sambas, boleros, merengues, son cubano, rumbas zairenses. Mais tarde tocam nos centros recreativos e criam a musica urbana que se afirmara’ nos anos 70.
Enzol' Eyaya- San Salvador (1959)
Os Gingas foi um dos primeiros conjuntos importantes de Luanda. Tinha violas e varias percussoes como a puita do Kakulo Kalumba. Em Lamento, Duia faz um solo de viola onde transparece a sua admiracao por Wendo. A criatividade de Duia tornou-se um exemplo para grandes guitarristas (Marito, Baiao, Ze’ Keno, Carlitos Vieira Dias).
Lamento - Gingas (1965)
Formado por musicos vindos do Norte, em meados de 60, o Quinteto Angolano de Matomona Sebastiao faz sucesso em Luanda. Mais tarde transformou-se em Ngoma Jazz.
Kupassiala Kua Aba - Quinteto Angolano (1969)
Dimba Diangola, um dos grupos mais antigos (1963), durou duas decadas entremeadas de algumas interrupcoes.
Fixe - Dimba Diangola (1970)
Os Kiezos, conjunto incontornavel da historia musical angolana, foi fundado em 1964, por jovens do Marcal e do Sao Paulo. Marito toca viola solo. Rumba 70, na realidade um samba-rumba, demonstra a solida construcao ritmica.
The duality of the central figure intimates a common source; in fact, Basquiat has looked to the African Congo for inspiration. The left figure carries a black crown spiked with nails, recalling the Nkisi figures of the Hemba culture (cf. figure 1). The Nkisi’s power derives from magic stored in their bodies, and when an agreement was reached between warring tribes both sides would swear an oath before the cult and drive iron blades or nails in to seal their oath. Thus, the supernatural powers latent in the deities were called upon to punish any who broke their pact. Grillo is also infused with Caribbean religious imagery (cf. figure 2). The second figure, crowned instead with a halo display, mimics the posture of the first but the presence of both lays further claim to Basquiat’s original source: as two sides took oath over the Nkisi cult figure, so too do both figures in Grillo participate in the field of action the artist creates. Tellingly, they demonstrate leader status through the torch they bear and the fists they yield in dominance.
Nkisi figures are made by the Kongo people of central Africa. Their power comes from magical substances stored inside their bodies and heads. They are used by ritual experts known as nganga as witnesses to oaths taken at the end of war or judicial proceedings. For example, representatives from each side involved in a conflict would hammer an iron wedge or knife into the nkisi figure and fire a salute to signal a peaceful agreement. In judicial disputes over land, swearing an oath, sealed by hammering a nail, would be sufficient to secure the land for generations. Personal vows could also be sealed through the figures. They could protect a person from envy, identify thieves and be used for predicting the future. A carver made the nkisi and a nganga prepared the sacred medicines that are attached to them or put inside them. It is these magical substances that persuade the spirit to take up residence in the nkisi. Many of the figures were named after chiefs and were paid similar forms of respect. A typical introduction might begin, 'Sir, open your ears, be attentive, so and so is coming to make an oath on you, may your eyes be clear, your ears open'. The spirit that the minkisi (plural of nkisi) was believed to embody, however, was that of a hunter, returned from the land of the dead.
The magic substances contain a great variety of material. One Kongo writer described the contents of a medicine bundle attached to one nkisi as including 'teeth of vipers and all snakes that bite with especial viciousness. Also the claws of mongoose and jackal'. X-ray analysis of two of the figures on display at the Horniman showed earth, beads, animal teeth, and in one case a cartridge case. Throughout the world, societies value things that are rare and difficult to acquire. In many cases, rare material from other societies is considered exotic and endowed with special properties. This may explain the presence of mirrors, beads and cartridges in the medicine or magical bundles.
L’art vestimentaire est devenu une religion pour les "sapeurs" congolais. Les adeptes de la Société des Ambianceurs et des personnes Elégantes (SAPE) et les Sapephiles (ceux qui aiment la sape) ont en fait récemment une démonstration au Mémorial Pierre Savorgnan de Brazza pour honorer la mémoire de l’artiste musicien Rapha Boudzéki, «le Brazzavillois». Une journée qui avait débuté par une messe d’action de grâce en Eglise Saint Pierre Claver de Bacongo à Brazzaville. Dans son homélie, l’abbé Anselme Badiabio, aumônier des Forces armées congolaises, nous a livrés ce message : «Notre vie sur terre est un passage. La sape est une étape de la vie mais, il faut passer de la sape extérieure à la sape intérieure. Par la sape, nous cherchons à reconnaître la valeur de Dieu pour saper notre cœur, pour que la beauté ne soit pas extérieure mais surtout intérieure» a-t-il dit. Poursuivant « que la sape est un atout, un tremplin pour l’unité nationale.»
Daniele Tamagni's wonderful pictorial essay brilliantly manages to capture the ebullience of sapeur culture at its source in Bacongo, a sprawling suburb of Brazzaville in The Congo.
Le Sape (The Societe des Ambianceurs et des Personnes Elegantes), is one of the world's most exclusive clubs. It has recently become an international phenomenon with branches in places like Brazzaville, Kinshasa, Paris, Brussels and parts of South London.
The sapeur style and relationship to clothes is unique - a throwback to a lost world of pre-colonial elegance and decadence and at the same time it is futuristic. Members have their own code of honour, codes of professional conduct and strict notions of morality.
Posted by
Koluki
Wednesday, 30 December 2009
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Eu nasci acidentalmente em Kimpese, território da República Democrática do Congo, bem pertinho de Mbanza Congo.
Cheguei aos EUA em 1972 para viver com meu pai. Estudei Ciências Políticas numa universidade de Los Angeles e o meu objectivo era estudar leis a fim de ser advogado, mas verifiquei que a música era o meu verdadeiro amor.
Eu tinha 8 anos e vivíamos em Kinshasa ao lado de um clube quando decidi que eu queria para mim uma carreira musical. Mas não tive coragem de dizer à minha mãe que eu queria ser músico. Minha mãe considerava todos os músicos como vagabundos. Quando vivíamos em Kinshasa, a minha mãe dizia-me sempre que ‘não importa onde residimos fisicamente; nunca jamais devemos esquecer as nossas raizes’. Nós somos de Mbanza Kongo e o nosso país é Angola. Minha filha tem 2 anos e nasceu em Los Angeles, mas ela sabe que tem o sangue angolano e, consequentemente, é angolana.
Eu sou admirador da música e da cultura afro-cubana. Tenho um fascínio pela diáspora africana na América Latina, especialmente Cuba. Enquanto jovem, escutava música de artistas congoleses que incorporavam elementos da cultura cubana.
Nessa época (em Kinshasa) eu era muito jovem mas eu lembro que escutava a música de Francó, Dr. Nico, Rochereau, Mario Matadidi e Sam Mangwana, entre outros. Na minha própria música cheguei a incorporar alguns estilos destes gigantes musicais.
Em todos os países fui sempre bem recebido. Já estive em Cuba, Bélgica, França, Holanda, Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Eslovénia, Suécia, Dinamarca, Israel, entre outros.
Eu sou um aventureiro. Quando ouvi a versão original de uma canção turca, decidi gravá-la. Meu amigo que fala turco ajudou-me na tradução e a pronunciar correctamente. A minha versão é muito popular na Turquia. Está no meu 5º disco (Issabela) e intitula-se Elbete, que traduzido do turco significa ‘com certeza’. É uma mensagem de esperança num mundo melhor.
Le début des années 80 a été marque, dans la vie culturelle africaine, par le lancement du projet « Centre International des Civilisations Bantu ». L’un des programmes établis pour cette nouvelle institution, action culturelle emblématique, a tous points de vue, a été la Biennale de l’Art Bantu Contemporain. L’un des objectifs assignes a cette opération culturelle, inédite, a été la promotion de cet important domaine, passablement orphelin, de la créativité artistique en Afrique centrale, orientale et australe. Il s’agissait, naturellement, dans cette démarche d’encourager et de faire connaitre au monde, les meilleurs talents, artistes plasticiens, de cette aire culturelle. Le développement de ce programme, qui s’est étalé sur une vingtaine d’années, depuis la sélection et l’acquisition de la collection initiale, la tenue des cadres émulatifs, le choix des reproductions représentatives, la publication de catalogues, l’illustration de notes de presse et d’articles, la réalisation de films documentaires et l’exposition itinérante a été domine par la signature d’ un peintre, hors pair, le congolais de la rive droite, Marcel Gotene.
Wyza is an up and coming Bakongo musician.
Having been humbled, moved, amazed, mesmerised and overwhelmed by his voice and music since recently discovering him, all I can bring myself to sensibly say is (paraphrasing the lady here):
Forget so and so (no offense to anyone intended, but...), Wyza is the Angolan musician with his finger on the pulse of ('global') music!
Yannick Ngombo, o Afroman, é o «rapper» do momento em Angola. Ele foi o músico que mais gente conseguiu levar ao estádio dos Coqueiros, naquele que seria o seu primeiro grande espectáculo ao vivo, a 23 de Janeiro último. Mais de 22 mil pessoas (cerca de 30 mil segundo um repórter do Jornal de Angola) se fizeram presentes, numa noite inesquecível, para a apresentação do seu álbum de estreia, o «Mentalidade».
[Mentalidade]
Antes, foi o «culpado» do encerramento da «portaria» do cine Atlântico, à Vila Alice, devido aos tumultos que se registaram na primeira sessão de venda pública do seu disco, quando os apreciadores da sua música não olharam a meios para terem a obra nas mãos. A polícia teve de intervir e as autoridades, sob pressão dos donos das lojas situadas no cine, decidiram-se pelo encerramento dessa kitanda dos músicos, transferindo-a para o Parque da Independência, umas centenas de metros mais adiante.
[Possas]
A popularidade da sua música reside no facto de espelhar nelas as vivências que a maior parte de nós tem no dia-a-dia. Em suma, fala dos problemas do povo e o povo, em face disso, se revê nas suas canções. Yannick Ngombo é, seguramente, o último grande fenómeno de massas.
[Controla-se]
Ele é p’ra aqui chamado hoje devido a uma canção que está a «bater» pelo país, por se debruçar sobre uma questão que temos digerido mal, mas que, embora muitos queiram fingir, existe a olhos nus, com consequências negativas para a sociedade. Estamos a falar da discriminação racial, em especial aquela que se abate sobre a maioria do povo: os negros.
[Pra Que]
Com o título de «Realista», a música retrata diversas situações em que esta prática é patente, apelando para que se ponha fim a ela, sob pena de se hipotecar o futuro dos nossos filhos e netos, como quem diz, do próprio país. Curiosamente, ela não faz parte do «Mentalidade», embora já estivesse pronta na altura em que este álbum foi produzido.
[Pelo Menos Bom Dia - feat. Matias Damasio]
Porque razão é que tal aconteceu, foi o que o Semanário Angolense pretendeu, entre outras coisas, saber de Yannick Ngombo, o Afroman, a quem alguns sectores já estão a rotular de «racista». Ele diz que «racista» não é, mas simplesmente «realista».
[Vai e Vem]
Numa entrevista que concedeu ao Semanário Angolense, da qual, no entanto, nos vamos apenas ater aos envolvimentos da canção em apreço num primeiro momento, Yannick Ngombo explica as razões da não inclusão no «Mentalidade» e do seu surgimento no mercado paralelo, ou seja, nos candongueiros e noutras «discotecas-auto» ou ainda em festas ou reuniões de amigos e compadres, onde acaba por assumir um carácter com um quê de «revolucionário», devido à controversa temática nela contida.
[A Luta]
«A música foi feita em função da experiência que tive no exterior. Não há pior coisa do que ser discriminado racialmente. E isto aconteceu comigo. Quando voltei para o país, encontrei a mesma coisa: é o negro a discriminar o próprio negro e o branco a fazer a mesma coisa ou pior. Possas que horror!», justifica o autor do «1-2-3».
[1-2-3]
Yannick Ngombo diz que a música se refere a muitas «cenas de discriminação que têm acontecido cá entre nós, principalmente em relação à cor de cada um». Segundo o homem de Maquela do Zombo, foi «a força da traição e da pirataria» que colocou a canção no ar, uma vez que estava a projectar inseri-la no seu segundo álbum. «E porque não no Mentalidade, se já estava pronta?», arriscou o jornalista, ao que Yannick Ngombo disse ter sentido necessidade de fazer uma espécie de auto-censura à canção, antes de se decidir em torná-la pública.
[Traz Azar]
«A música faz menção a cenas de discriminação. Você tem vivido esta realidade?», insistiu o jornalista. «Mano, eu não canto à toa. Tudo que canto são situações vividas e todas reais. Fui muitas vezes humilhado em discotecas, em agências bancárias, e em muitos outros sítios públicos», responde.
[Quem Fez a Mulher]
Acrescentando: «Por exemplo, uma vez, quando estive em Benguela e na Huíla, fui travado na porta de uma discoteca por ser negro. Segundo eles (os porteiros), negro em péssimas condições ou calçado de sapatilhas, não podia ter acesso. Mas, os dois brancos que vinham depois de mim, trajados quase com a mesma roupa, tiveram acesso. Isto é coisa de admirar, porque todos nós somos um só povo. Nós não devemos ter preconceito, porque se a cena continuar assim, o que poderá surgir é mais uma guerra».
[Texto do Semanario Angolense, 09/05/09 - onde podera' tambem encontrar a letra de "Realista"]
[Coisa Minima]
N.B.: Nao e' por nada, mas exemplos praticos de "Coisa Minima" podem ser encontrados aqui.
Comecei ha’ dias a ouvir este album do Waldemar Bastos (2006). Ja’ nao ouvia a sua musica desde que, ha’ cerca de dez anos, o fui ver actuar no Barbican de Londres, onde ele foi fazer o ‘intro’ a um espectaculo da Suzana Baca. Fui com uma amiga americana, branca, grande fa da Baca, que nao o conhecia. Ficamos sentadas na primeira fila (tao perto do palco que ainda apanhamos com uns perdigotos vindos dos lados dele…) e portamo-nos como umas verdadeiras teenagers em frente ao "seu maior idolo" – o que nao era bem o caso, queriamos apenas contribuir para que ele nao passasse perante aquela audiencia, constituida maioritariamente por fans da Baca, como apenas “um ilustre desconhecido”…
[Querida Angola]
Quando terminou a sua prestacao, quais groopies, aproveitamos o intervalo para ir aos bastidores falar com ele. Mandaram-nos esperar. E esperamos… e esperamos… A minha amiga, exasperada, comecou a perguntar “quem e’ que ele pensa que e’?” e eu, encabulada, sem saber o que lhe responder… Ja’ nos iamos embora, porque entretanto a Baca ja’ estava no palco, quando ele apareceu. Trocamos umas breves palavras. Apenas. E fomos ver a Baca – de que muito gostamos.
[Sofrimento]
Conheci o WB nas tertulias artisticas da Luanda dos anos 80, ainda antes de ele ter lancado o seu primeiro disco, o “Estamos Juntos”. Lembro-me de numa delas ele ter-me dito (smile): “se nao fosses uma preta cheia de manias, ate’ podiamos ser amigos”… Bom, anos mais tarde, em Lisboa, fui ve-lo no espectaculo de apresentacao do “Angola Minha Namorada”, do qual o ponto alto foi a sua versao do “Muxima”.
[Muxima]
Apenas recentemente soube que ele nasceu em Mbanza Kongo. Mas nunca soube que a Rainha Ginga (Nzinga Mbandi) “nasceu nas margens do Rio Zaire”…
[Rainha Ginga]
Mas deste album, o hit para mim foi este “Kuribota”. Ha’ pouco tempo, dediquei aquium poema a uns certos sujeitinhos… mas se na altura ja’ conhecesse esta musica, era o que lhes teria dedicado, porque… ate’ parece ter sido feita expressamente de encomenda para eles…assenta-lhes que nem uma luva! (WB, estas perdoado...)